Sérgio Beck já é figura carimbada no meio excursionista. Em seus trinta e cinco anos de aventura, explorou cavernas, trilhas e bicicletadas pelo Brasil – e ainda explora. Escreveu uma dezena de livrinhos sobre esportes de aventura. Dezoito anos atrás foi ao Nepal e acabou se tornando o primeiro brasileiro a subir um dos altos picos do Himalaia – o Cho-Oyu (8201m), na divisa com o Tibet.
Sua arte consiste em simplesmente pôr um pé na frente do outro e ir adiante. Em sua última aventura, à Chapada Diamantina, Sérgio registrou todos os detalhes com sua câmera Mirage e assim que voltou, fez questão de mostrar as fotos maravilhosas que tirou do paraíso onde esteve.
Sérgio Beck na Chapada Diamantina
Minha primeira ida à Chapada Diamantina foi há vinte anos, em 1989 – munido de um mero mapinha rabiscado a mão, para tentar a já então célebre travessia de Lençóis ao Capão, Pati, e finalmente Andaraí – caminhada de cinco dias que era então considerada “o máximo” na área. Dicas mais recentes me acordaram para o fato de que a Chapada já não consistia apenas nesta única trilha de longa distância. A caminhada por dentro de cânions ao pé da cachoeira da Fumaça, por exemplo, começou a se tornar muito popular – e assim outra meia dúzia de trilhas menos badaladas, visitando cachoeiras com nomes sugestivos, como Mixila, Fumacinha ou Mandassaia.
Já a idéia de escrever um livro-guia da Chapada (e na verdade, mais alguns das principais áreas de treking no país) nasceu de uma tentativa de levar meu garoto às trilhas em Bariloche e Pucón (na Argentina e Chile). Enquanto eu decifrava livros (em inglês) a respeito destes destinos, ocorreu-me que o brasileiro não dispõe de nenhum livro em português, sobre a mesma região. E assim também em relação às nossas próprias áreas de caminhada.
Nunca chegamos a conseguir viajar à Argentina. Mas nos últimos três anos acabei indo algumas vezes à Chapada, descobrindo trilhas adicionais – algumas obviamente turísticas outras “secretas” ou conhecidas apenas de alguns guias locais, que às vezes chegam a sonegar a informação a respeito, apenas para preservar seu filão turístico.
Não tenho nada contra guias locais. Mas me aborrece um pouco que as pessoas dependam tanto de guias, até mesmo para descobrir as cachoeiras e atrações à uma hora de Lençóis ou de qualquer outra cidade, como se navegar pelo agreste fosse um mistério reservado a poucos. Sair com um guia pode ser uma experiência reveladora – depende do guia. Mas às vezes, tudo o que se quer é um passeio sem compromisso, um encontro com a natureza e consigo mesmo – e neste caso, um guia pode ser um estorvo. Só que neste caso é preciso saber usar mapas – e dispor de alguma informação básica, que é o que este meu livro pretende oferecer.
De qualquer modo, entre 2006 e 2008 foram cinco as viagens, para desvendar os caminhos da Chapada. Alguns deles atravessam os ombros da serra, longe das vilas e pousadas, cruzando rios totalmente desconhecidos dos turistas, acompanhando antigas trilhas de garimpeiros, por dois ou três dias, debaixo do forte sol da Bahia. A travessia pelo Pati (claro) foi novamente trilhada, durante um Carnaval, enfrentando muita chuva e rios engrossados – e sendo recompensado com visões de cachoeiras subitamente irrompendo dos paredões enevoados, logo após as trovoadas.
Nem sempre as imagens conseguiram ser registradas. Certa vez, subindo à cachoeira do Sossego, passeio trivial a duas horas de Lençóis, vimos um nada mirim tamanduá-mirim surgir de trás de uma pedra, bambolear por cima de uns blocos, e desaparecer na mata. Nem deu tempo de puxar a câmera da mochila. E se eu tivesse perdido dois segundos procurando a câmera, não teria apreciado o espetáculo do bicharoco cor de mel cruzando a dez metros dos turistas emudecidos. Por outro lado, houve ocasiões em que forcei as previsões, saindo em dia de chuva, contra todos os conselhos de guias calejados, e acabando no alto dos vales exatamente na hora em que a chuva parou, a neblina abriu, e a paisagem se revelou – a mim, o único a se arriscar para fora das pousadinhas locais naquele dia… Mas como na vida, quem não se arrisca não petisca.
A Chapada Diamantina é muito especial. Mas existem outras áreas igualmente deslumbrantes pelo Brasil. O único senão, é que a mídia raramente delas se ocupa, por serem acessíveis apenas a pé ou com muito esforço. E que por isto mesmo continuam remotas e misteriosas.
Sérgio Beck
Confira abaixo algumas fotos tiradas por Sérgio:
Veja ainda mais fotos de Sérgio tiradas na Chapada Diamantina em nosso Flickr.














abril 23rd, 2009 at 10:28
As fotos estão maravilhosas!!! Qual a melhor época para ir a Chapad da Diamantina?
abril 23rd, 2009 at 10:29
Olá Mel,
A melhor época para conhecer a Chapada Diamantina vai de fevereiro a outubro, são periodos menos chuvosos, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, ocorrem chuvas intensas. Logo após estes meses chuvosos as cachoeiras ficam mais cheias e já não há tanto risco de não aproveitar bem o passeio em função do mal tempo.
Abraços,
Filipe
fevereiro 20th, 2010 at 23:08
Ola Sergio! sou um seguidor seu! tenho todas as revistas e andei um tempo sem noticias suas…bom saber que continua viajando e escrevendo ! parabens e continue o otimo trabalho. Gostaria tb de saber se ja lancou mais algum livro desde 2008… obrigado e um grande abraco
Marcello